Pós-E3: o destaque aos jogos mobile
11/06/2012
Por Filipe Siqueira
Foto: Wired
A E3 - Electronic Entertainment Expo - sempre foi um evento voltado para um fim: ser uma feira para impressionar varejistas, além de ser uma mostra do próprio poder da indústria de games. Com o tempo, ganhou a função de ser a principal época onde as fabricantes de consoles brigam para mostrar suas novidades e preparar suas linhas de produção para o aquecimento comercial das férias.
Obviamente, que baseado na performance das empresas, é possível extrair uma amostra do que o futuro dos games nos reserva. E esse ano foi possível comprovar de uma vez por todas que o modelo centralizado de vendas de consoles e jogos em caixinha caminha para uma morte lenta - já soube que a Crytek só lançará jogos gratuitos após Crysis 3?.
Uma mostra disso foi o estande da Disney, que era dividido em dois grandes jogos: Epic Mickey: The Power of Two e... Where's My Water?, um jogo móvel disponível para Android e iOS - lançado em setembro de 2011, ainda por cima.
A interrogação que ficou na cabeça de mutos que viram o jogo por lá foi: por que a Disney investiu tanto espaço em um jogo já lançado, e para uma plataforma menor? A primeira e óbvia resposta diz respeito ao sucesso que Where's My Water? alcançou, vendendo milhões de cópias (para iOS, em que o jogo custa US$ 0,99, já que no Android ele é gratuito, com propagandas) e com uma curva de aceitação invejável, já que o número de instalações aumenta cada vez mais com o tempo.
O jogo é um puzzle em que você deve fazer a água chegar até o personagem principal do jogo, um simpático jacaré. Exigiu investimento e uma nova forma de se pensar o negócio de games, mas deu retorno, como muitos jogos free-to-play e mobile importantes.
Para demonstrar o jogo, a Disney montou um estande similar a um bar, onde entregava dispositivos com os jogos pré-instalados e oferecia bebidas. Não existiram filas ou um amontoado de gente esperando para jogar Water, mas muitos dos jornalistas que colocaram as mãos no jogo escreveram sobre ele.
A Square Enix também reservou uma área para seus jogos de iPad na E3 2012, porém, com menos aceitação do que a estratégia da Disney, provavelmente por não contar com uma estratégia de chamariz para o público do evento. Um desses jogos é Final Fantasy Dimensions, que possui todos os elementos da fórmula dos RPGs da Square, com gráficos da era SNES.
Outra grande diferença está na própria força dos jogos mobile vs jogos de consoles. Enquanto os primeiros possuem campanhas de marketing muito modestas, geralmente baseadas no boca-a-boca e na publicidade de lojas online, os jogos de console devoram milhões de dólares para se tornarem objetos de desejo de milhões de pessoas. E a E3 é definitivamente um lugar para o segundo grupo, com anúncios titânicos e conferências colossais. Sem jogos poderosos e anúncios bombásticos, a E3 é um lugar menor - e a tendência aponte que é esse caminho que o evento seguirá.
A atitude da Disney e da Square é um termômetro de que outros modelos de negócios estão vindo por aí. Desde o sucesso do DLC os jogos deixaram de serem produtos fechados e se tornaram serviços, com updates, correções e interação com o público. Uma E3 com cada vez mais jogos mobile e free-to-play deixaria de ser uma E3 com anúncios de jogos futuros para se tornar uma E3 que serve para medir a popularidade dos jogos já lançados.
Inegavelmente seria um evento mais barato e com moldes completamente diferentes. Basta a indústria aos poucos se adaptar a ele.
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