Duelo de gigantes
20/06/2012
Por Filipe Siqueira
De um lado temos um dos títulos incontestáveis e campeões de crítica do ano passado, The Elder Scrolls V: Skyrim, que também tem lá seus defeitos - e dos graves, daqueles que patches de correção agravaram ao invés de resolver. Do outro uma tentativa récem-lançada da Capcom de entrar no filão de RPGs de ação com mundo aberto, Dragon's Dogma - cujo o review dos nossos comparsas do PlayStation Blast nós publicamos ontem.
O que os dois tem a ver um com o outro? Muita coisa, afinal os dois títulos têm dragões, mundos abertos, são RPGs extensos, com jornadas gigantescas e por aí vai. O GamesBeat resolveu colocar os dois pra brigar, e fez uma extensa análise do design dos dois títulos, que soa muito melhor do que comparações baratas. E bem, deu Dragon's Dogma.
O primeiro item analisado pelo autor Rob Savillo são as lutas, e todos sabem que Skyrim é falho nesse quesito. E não adianta dizer que o principal do jogo da Bethesda é seu mundo aberto e suas über-múltiplas opções, e que combates são secundários. Quando você passa várias horas brigando com ursos, assassinos, e outros seres, entre místicos e humanos, combates definitivamente não são secundários.
Em Skyrim, combater é uma atividade repetitiva e pouco profunda, e se resume a algumas esquivas e muita paciência para fazer as mesmas ações continuamente. Não dá pra dizer que é um primor, no fim das contas. Já Dragon's Dogma herdou o background das poderosas mecânicas de Monster Hunter, e envolve saber utilizar pontos fracos de cada animal, saber os melhores momentos de sacar aquela espada ou queimar alguém com magia.
As animações de ataque, cada grito, os efeitos sobre os inimigos... tudo é bem trabalhado em Dragon's Dogma e são visualmente diferentes, e não somente um monte de repetições empilhadas.
Outro ponto são os diálogos. OK, a flechada no joelho dos guardas de Skyrim virou um meme de respeito e muito engraçado, mas o mundo vasto de Skyrim guarda um número desnecessariamente alto de diálogos que, no fim, não servem pra nada de importante. Algumas vezes é pior, e as falas são irritantes, com dicas mal-vindas com humor involuntário. Em outras palavras: um mundo gigante com muitas informações inúteis empilhadas.
Dragon's Dogma passa por cima disso, ao reduzir a quantidade, aumentar a relevância e aprofundar o contexto. Quase nada por lá soa genérico ou mal trabalhado em relação aos diálogos e as informações. Os peões - personagens controlados por computador que ajudam em suas missões e balanceiam o grupo - literalmente aprendem durante as quests, e se comportam de forma diferente ao adquirir experiência.
Agora o ponto mais polêmico do artigo: a exploração de Dragon's Dogma é melhor e vale muito mais a pena do que em Skyrim. O mundo em Skyrim não é coeso, segundo Savillo. É uma salada de construções que simplesmente não parecem interligadas. Os caminhos não precisam ser legais e cheios de itens porque podem ser ignorados depois que forem feitos uma vez. Assim, a Bethesda se sentiu no direito de criar montanhas e florestas genéricas, sem personalidade, que se avolumam pelo vastíssimo mapa do jogo.
Já Dragon's Dogma insere aventuras e conflitos em cada caminho, cada canto, além de obrigar o jogador a realmente ir até o local do mapa, pelo caminho dele, não importa que pela décima vez. Nada de magias, e teletransporte, amigo. Isso seria um problemão, Savillo aponta, se não fosse o design único e a individualidade de cada cidade e ponto do mapa do jogo. Monstros, harpias, tempestades, tudo está lá, e dificilmente será ignorado pelo jogador. Tudo se soma para entregar uma experiência muito mais interessante.
Pesando os dois, não é difícil apontar que enquanto Skyrim é um arrasa-quarteirão incontestável, pronto para agradar milhões e milhões de jogadores com suas múltiplas opções de jogo e a infinidade de quests, Dragon's Dogma está destinado a se tornar uma pérola cult, famosa justamente por ser bem feita e com identidade própria. São dois gigantes convivendo no mesmo mundo.
Para ler o restante do artigo - com muito mais detalhes na extensa argumentação -, é só acessar o GamesBeat. E eu até acrescentaria mais um ponto nesse argumento: Dragon's Dogma não é em primeira pessoa.
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