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Review: Far Cry 3 fecha o ano com muita ação e surrealismo

12345Avaliação 4.64 (11 Votos)



Eis que lá estava eu, perdido, trilhando uma estrada de terra, com apenas uma pistola em mãos e poucas balas, quando ao longe escutei a vinda de um carro. Inúmeras vozes gritavam alto em provocação, denunciando o que mais temia: meus perseguidores se aproximavam e rápido. Fiz a primeira coisa que veio em mente: joguei-me no arbusto mais próximo e torci para passar despercebido. Um segundo, dois segundos, três segundos passaram e finalmente o carro atravessou a estrada – ninguém me viu.

Respirei aliviado e, para minha surpresa, Jason Brody, o protagonista de Far Cry 3, respirou comigo através da tela. Foi quando percebi que a nova jornada da Ubisoft não era apenas mais um jogo de mundo aberto.

 

A coisa toda começa como um bom filme de sessão da tarde com traços do clássico Amargo Pesadelo, um grupo de amigos cheios da grana está viajando pelo mundo e sua última parada, antes de voltarem à California, é a paradisíaca e desabitada Rook Island, onde fariam skydiving. O salto das alturas em si da certo, o problema é que a ilha não era bem o que poderia ser chamado de desabitada – foi só pousar que o grupo é abordado por sequestradores.

Separados, humilhados, e prestes a serem vendidos como escravos, é o irmão de Jason que decide dar um fim na situação. Soldado treinado, ele arquiteta uma escapada junto do protagonista, mas nem tudo sai como deveria. Agora, perdido em meio ao ambiente, Jason se vê obrigado a deixar sua antiga vida de luxo para trás e lutar a batalha dos Rakyat, povo nativo da ilha, na esperança de resgatar seu irmão, amigos e namorada.

 

Os parágrafos acima são o máximo de narrativa que você vai encontrar no jogo, o que não é dizer que a aventura não é profunda. Para um FPS que tem como aspiração a liberdade e a imersão, Far Cry 3 vai longe nas impressões e perspectivas de seu protagonista, dando um toque incrivelmente único. Pense que jogos como Skyrim e Fallout te oferecem uma camada, a de se estar vivendo em um imenso mundo cheio de oportunidades, agora, Far Cry 3 te oferece duas, além do mundo, você se envolve com as percepções de um personagem que nunca criou.


Porque em pleno final de geração que vivemos, já está mais do que comprovado que uma empresa de grande porte como a Ubisoft domina a arte da criação de outros mundos. O visual brilhante e cristalino, o relevo realista, a texturização palpável, está tudo lá. Então, o que realmente impressiona e faz a diferença é a forma como os desenvolvedores lidam com os pequenos detalhes, e nisso o pessoal da Ubisoft Montreal se supera.

Ao contrário de outros jogos que não vou citar, você nunca sente como se a vastidão do mundo chega em detrimento do desenvolvimento individual de cada área ou naturalidade das situações. Jason amadurece durante o jogo (um pouco rápido demais até) e você percebe e vive esta mudança. Em seu primeiro assassinato furtivo na aventura, Jason praticamente chora junto com a vítima, para aos poucos ir se tornando um mestre na arte da guerrilha. Isto acontece praticamente com tudo, da forma como se interage com os animais da ilha durante a caça, até no jeito como se aventura pelas paisagens. Como dito antes, hoje em dia, onde a tecnologia visual alcança picos nunca imaginados, a chave para se separar um bom jogo está na naturalidade como tudo chega até o jogador.

É tudo complexo e muito simples ao mesmo tempo. Temos uma infinidade de habilidades, garantidas por meio das místicas tataus -- tatuagens tribais dominadas pelos guerreiros da ilha, mas nada que causa confusão e tudo é fácil de se utilizar. Como uma verdadeira aventura na selva, adaptação é a chave para a sobrevivência e só assim você tem sucesso no jogo, não há certo ou errado, é tudo questão de aproximação.

Uma das habilidades mais úteis do game vem de graça: utilizando uma câmera digital como se fosse um binóculo, você pode traçar a posição dos inimigos e enxergar suas movimentações. É a partir dai que o combate brilha, podendo ser silencioso – distraindo os inimigos com pedrinhas para matá-los na surdina, explosivo – atire no sistema de alarme, entre fuzilando e torça para tudo dar certo, ou mesmo estratégico – já pensou em atrair uma fera selvagem, como um tigre, bem no meio do acampamento inimigo?

Aliás, falando nas feras. A fauna de Rook Island é vital para o desenvolvimento do jogo e não só na forma “nossa, olha que realista essa ilha, tem bichinhos!”, mas sim como uma verdadeira força caótica dentro do universo do game. Pode ser o elemento que faz sua vida mais difícil, quando suas energias estão esgotadas e um tigre surge na sua frente, ou a diferença entre um personagem mais preparado, afinal, novas bolsas e cintos para se carregar armas são feitas da pele de cordeiros.

Só sei que, seja qual for a perseguição que esteja, qualquer um pensará duas vezes antes de pular em um rio para se esconder depois da primeira vez que cair direto nas mandíbulas de um crocodilo. O susto é grande, a combate em primeira pessoa é desesperador e a lembrança fica para sempre. Apesar de cada região possuir seu próprio grupo de presas e predadores, os bichos nunca ficam no mesmo lugar, deixando tudo sempre imprevisível.

Outra palavra que define Far Cry 3 e o destaca tanto entre os outros FPS, quanto jogos de mundo aberto, é o “momento”. Estranho o uso da palavra? Deixa que eu explico: Apesar de estarmos falando de um mundo enorme no qual o jogador caminha de leste a oeste na busca de novas missões, você nunca perde o momento. Existem uma série de missões extras, áreas escondidas, grutas com informações secretas e até menções a outros jogos, mas não da para se perder, ou mesmo andar demais a ponto de perder o interesse no seu atual objetivo... e se existir alguém que perca, o auto-travel está lá, sempre rápido e fácil para salvação.



Um jogo que respira junto com você: e não é exagero dizer isto de Far Cry 3. Uma coisa que sempre me incomodou na maioria dos jogos de mundo aberto é que parece que muito da experiência fica na mão da engine, são títulos extremamente calculados, como um verdadeiro parque de diversão que, após visitado cinco vezes, se torna previsível. Isso não acontece na cria da Ubisoft, porque temos um universo que, quanto mais se interage com ele, mais ele interage com você.

 

Há quem possa se sentir meio perdido com a narrativa, afinal, apesar do início bem pé no chão, o jogo toma suas liberdades para com os desenvolvimentos e, considerando que o conto se inspira em Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, pode contar que nem tudo que você enxerga é o que realmente acontece, e mesmo assim a coisa nunca perde o rumo. É uma pena que o personagem principal nunca chegue a ser tão interessante quanto aqueles que olham nos seus olhos durante os muitos diálogos, mas não chega a ser uma falta real. A riqueza de tudo que Far Cry 3 tem a oferecer mais do que compensa.

Nota: 9.5


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